Baterias na Amazônia: maior projeto de armazenamento no Brasil começa em 2026
O projeto das empresas Huawei e Aggreko para implantar sistemas de armazenamento de energia (BESS) na Amazônia representa o maior empreendimento desse tipo no Brasil e um avanço importante na transição energética do país. Com foco em reduzir a geração termelétrica poluente em regiões isoladas, a iniciativa vai atender desde pequenas comunidades até cidades como Tefé (AM), com cerca de 75 mil habitantes. Serão instalados 110 megawatts-pico (MWp) em usinas solares e 120 megawatt-horas (MWh) em baterias, formando um sistema híbrido que combina energia solar durante o dia com armazenamento para garantir fornecimento constante.
Investimentos e estrutura do projeto
A parceria entre a fabricante chinesa Huawei e a britânica Aggreko foi viabilizada após uma chamada pública federal em 2025, destinada a modernizar microrredes em sistemas isolados ainda dependentes de termelétricas. A Aggreko, que já opera usinas termelétricas em comunidades desconectadas da rede nacional, propôs hibridizar suas operações com energia solar e baterias para reduzir o uso de combustíveis fósseis.
O investimento total é de R$ 850 milhões, dos quais R$ 510 milhões vêm de um fundo criado após a privatização da Eletrobras, atualmente Axia Energia. A Aggreko aportará o restante, comprando as baterias da Huawei. Será o maior sistema de armazenamento do país, superando o único até agora da transmissora ISA Energia em São Paulo.
Desafios climáticos e operação híbrida
Embora a região amazônica tenha condições climáticas que dificultam a geração solar, como chuvas intensas e nebulosidade, as termelétricas permanecerão em operação reduzida para garantir segurança energética. “Não reduziremos a capacidade térmica, apenas operaremos menos as máquinas, diminuindo o custo associado”, explicou Cristiano Lopes Saito, diretor da Aggreko para utilities no Brasil.
As baterias da Huawei serão fundamentais não só para armazenar energia, mas para manter a qualidade do fornecimento, controlando tensão e frequência, especialmente em sistemas isolados. “É o maior projeto de microgrid nas Américas completamente desconectado da rede elétrica”, destaca Bárbara Pizzolatto, diretora de Off-Grid na Huawei no Brasil.
Cronograma e benefícios ambientais
O projeto atenderá 24 localidades no Amazonas, com implantação total prevista para até três anos, e usinas entrando em operação a partir de 2027 e 2028. A expectativa é reduzir em 37 milhões de litros anuais o consumo de diesel e cortar 104 mil toneladas de emissões de CO2 por ano, ajudando a descarbonizar a geração local e a aliviar a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), um dos principais encargos na conta de luz do consumidor.
Contexto e impacto para o setor elétrico
Essa iniciativa complementa programas federais como Luz Para Todos e Mais Luz Para a Amazônia, que já implantam sistemas solares com baterias em comunidades isoladas, mas se diferencia por atender residências, comércios e pequenas indústrias, tornando o modelo mais robusto e integrado.
Na prática, as baterias variam desde pequenas unidades residenciais até sistemas do tamanho de contêineres de 28 toneladas, garantindo autonomia e estabilidade. Espera-se que o projeto impulsione o uso de armazenamento para melhorar a qualidade da energia no país.
Além disso, o governo estuda leilões específicos para contratação de sistemas de armazenamento, reforçando a tendência de crescimento do setor. A experiência da Amazônia pode servir de modelo para outras regiões com características similares.
Conclusão estratégica
Portanto, o projeto de baterias na Amazônia simboliza um passo estratégico na transição energética brasileira, combinando inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e eficiência econômica. Reduzir a dependência de combustíveis fósseis e fortalecer a geração renovável em áreas isoladas promove acesso à energia com menor impacto ambiental e segurança operacional.
Os robustos investimentos e o modelo de microrredes híbridas devem beneficiar milhares de habitantes, além de abrir caminho para a modernização do mercado energético nas regiões mais remotas do país. Isso certamente despertará interesse de investidores, reguladores e operadores do setor.
